21 de junho de 2010

Educação Moral e Cívica

Encontrei esse texto no blog Cheiro de Café e achei que seria bom compartilhá-lo com os meus leitores.

A violência entre cidadãos comuns, ou seja, aqueles que não são considerados bandidos, aumenta mais do que a violência dos bandidos contra a população nas grandes cidades.

por Rafa (suponho que seja Rafaella) Guerra

Isso não é surpresa para mim. Há muito tempo venho notado uma tendência das pessoas em lutar pelos seus direitos de forma questionável, em abominar a idéia da omissão, da falta de personalidade (leia-se gênio forte e histeria), em querer aparecer mais e ser mais do que o outro. Isso é o que conta hoje em dia. Houve uma inversão de valores. Aquele que tenta lidar com o outro de forma diplomática e civilizada, respeitando e tolerando as diferenças é o típico idiota do século XXI, é um cidadão sem expressão, sem personalidade. Como já havia mencionado em outro post, a moda agora é dizer que fala tudo NA CARA (que pretensão, hein? Quem disse que a sua opinião é assim tão importante?), que não importa o que os outros pensam sobre você, tem até uma frase (constantemente repetida) RIDÍCULA que diz: “falem bem ou mal, mas falem de mim”. Será que as pessoas que dizem isso param realmente para prestar atenção no sentido da frase? Será que alguém tem essa necessidade tão grande de aparecer de qualquer forma a ponto de querer ser vítima de maledicência?

Pois bem, essa semana, duas pessoas morreram por causa de uma briga de vizinhos que teve como causa um saco de lixo na calçada. Como é que pode? São duas vidas humanas! Será possível que nossa vida não valha mais do que um saco de lixo? O pior é que esse é apenas um de muitos casos de brigas entre cidadãos “comuns” que terminam em morte. Falta educação, e não é de física, química, português e matemática que eu estou falando. As escolas perdem muito tempo ensinando coisas inúteis, sim, porque até hoje nunca precisei utilizar o valor de PI, nem aquelas fórmulas loucas de física para nada na minha vida. Não, não sou contra o ensino dessas disciplinas, só acho que este ensino deveria ser voltado para as coisas práticas do dia a dia, depois, os alunos que se identificassem com essa ou aquela área, poderiam se aprofundar nos assuntos mais específicos. Na minha época de criança, existia (além de todas as disciplinas que existem hoje) uma disciplina chamada “EMC – Educação Moral e Cívica”, até hoje não entendi por que excluíram uma matéria tão importante como essa do currículo. O nome já diz tudo, tínhamos noção de moral e CIVILIDADE, coisas essenciais para se viver em sociedade. Já que não podemos contar com os valores morais dos pais e o bom-senso comum, o governo tem a obrigação de ensinar isso nas escolas. Isso é mais importante do que QUALQUER conhecimento técnico sobre qualquer coisa.

Cada indivíduo é apenas 1 dos milhões de habitantes das grandes cidades. Não estamos sozinhos, não podemos fazer tudo o que der na telha (mesmo coisas lícitas), quem quiser isso tem que morar isolado no meio do mato. Há que se respeitar o OUTRO, afinal de contas, nós também somos o outro para alguém. Não estou dizendo que não devemos lutar pelos nossos direitos, reivindicar, discutir, contestar, muito pelo contrário. Só acho que tudo isso pode ser feito de forma civilizada, cordial, polida, fina. E isso vai de assuntos pessoais a coletivos. Muitas vezes, dar o exemplo faz mais efeito do que começar uma discussão. Muitas vezes também, as pessoas teimam em discutir por qualquer coisinha, só pelo prazer de discutir ou, quem sabe, para extravasar a raiva por uma noite mal comida, digo, mal dormida. Se a pessoa é amargurada, mal amada, estressada, ninguém tem nada a ver com isso. Temos que aprender a separar as coisas.

Enfim, se um relacionamento em família já é difícil e desgastante, imagine um relacionamento com milhões de pessoas? É claro que não pode ser fácil! Acredito que as dicas para um bom relacionamento no casamento sirvam também para a vida em sociedade: RESPEITO, TOLERÂNCIA, RAZOABILIDADE, CESSÃO, MALEABILIDADE. Acho que esse é o verdadeiro e tão falado “amor” ao próximo. É claro que se isso tudo for feito com prazer, fica bem menos difícil. Agora, se a pessoa achar que não tem a obrigação de respeitar, tolerar, racionalizar, ceder ou ser maleável, para os casais, existe o divórcio, para os cidadãos, resta o mato.

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